sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dressing Table

Existe uma epopéia chamada "ensaios para a transfiguração de bigornas", onde é defendida a teoria do consentimento caótico - Eu aceito a sua loucura, e você busca em mim instabilidade; Viveremos felizes até o amanhecer, que é quando as trevas, iluminadas, rendem-se à sanidade.

Tal passagem é desmentida, quando publicaram o seguinte argumento:

         "A natureza notívaga de begônias adormecidas pode ser simulada,
         uma vez que a Luz, em seu âmbito essencial,
         perde suas características inerentes quando apagada."

Eu te amo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

sem título IV

A resposta demorou três dias. Era assim:

"Prezado,

acordo aos termos previamente estabelecidos,
sua solicitação será desconsiderada
mas meu íntimo grita por aceitação.

Att"

sexta-feira, 6 de maio de 2011

You'll never be what is in your heart

Tenho muitas alergias. O bolor que encrosta o mundo é uma delas -
a minha alma cósmica incha a cada espirro metafísico. e eu me volto a
mim.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

I

A crônica de quem escreve. isso é
um escombro de vontade. e tem pés demais pisando
o chão. É necessário um distanciamento semântico(dessa vez
sem o palito) e o questionamento do necessário. "o que se diz é o que
se fala?"
A acentuação faz os tornozelos ficarem mais altos. "o amedrontamento
é real?". Receio que sim, capitão.
e na verdade, o medo era o da
negação. uma vontade
(fim)

II

-escutei meu nome o dia inteiro. Isso
pode ser um prelúdio do fim.
Confessou baixo, e também:
"chorei até me desencontrar"

não dei ouvidos.
podia ser medo de muita coisa,
ou vontade de coisa nenhuma

-isso é um clichê lingüístico.
eu não me desencontrei por você, foi
em mim mesmo.

A sua vontade tem gênero?
na verdade, eu só queria ir embora.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Astronauta

- eu não pedi sua ajuda.
E o melhor auxílio é de fato esse, como que caído do céu.
- e além do mais, você não se parece com
quem veio do céu.
"e já esteve lá para saber?"
Lembrou-se então que já morrera, sentiu o gosto das nuvens
e flutuou. Não havia de ser outro lugar.
Protelou:
- nem que viesse de debaixo da terra e me prometesse os
segredos do universo. Peço que se vá.
E não foi. O tempo transmutava e, naquele espaço,
instalou sua eternidade - como que dentro de vidro -
seus dedos do pé cresceram para raízes.
Até a salvação:
(reticências)