domingo, 14 de maio de 2017

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durmo sempre com a boca virada pro orvalho
e desperto bebida de terra.
hoje é de lembrar os órgãos ocos
de meninos que não podem crescer
debaixo de laranjeiras,
e de cada baga por dentro
imagino o azedo doce gelatinoso desse corpo.
daqui, nos limeiros crescem frutos fortes,
que secam ainda grudados nos galhos.
o despertar de um hoje que não dormiu
foi pra lembrar do que tem debaixo
de cada pedra de um império




é do medo de esquecer seu rosto
que a poeira que cobre meu corpo
se espalha pelas paredes
em casas de areia e veias abertas de sal
e apesar do céu
o que vi diante do meu inteiro ser
ainda não pude dizer o nome





ainda repito as palavras
da boca faminta,
seu nome não posso dizer
o silêncio azul transparente olhos de prata tão inventados quanto o respiro do oceano
o rio que me atravessa é o outro, a qual se uniu
em margem dolorida, ponte,
bússola
te chamo em naufrágio

segunda-feira, 23 de maio de 2016

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Nos deslocamentos de tempo possíveis
das escavações que revelam
entre camadas geológicas que no passado eram jovens
cidades subterrâneas emergem

canecas, tamancos

e se meu corpo em seus veios habitou
foi com o mesmo temor de encarar o céu
que não desgruda os olhos do azul ainda sem nome
das estrelas noturnas que se moviam em outras formações

vivendo num tempo de poeira
que jamais foi fotografado

segunda-feira, 8 de junho de 2015

. lembra

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do que tem debaixo

lembra

das pedras, pegadas
dos meninos que nao podem crescer
na sombra das laranjeiras, as bocas comidas de terra e orvalho

as mães, de ventres ocos
da ausência, tua

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quinta-feira, 31 de julho de 2014

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013





quando fecho os olhos e vejo os seus



terceiro trigésimo
um menino na claridade
uma velha debaixo dágua
não sabe se chove
nunca vai a superfície
um vulto -
cachorro de três pernas
uma matilha




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domingo, 20 de outubro de 2013