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segunda-feira, 8 de junho de 2015

. lembra

.


do que tem debaixo

lembra

das pedras, pegadas
dos meninos que nao podem crescer
na sombra das laranjeiras, as bocas comidas de terra e orvalho

as mães, de ventres ocos
da ausência, tua

.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

95 dias

Meus melhores amigos foram engolidos pelo vento.
O silêncio deu conta da loucura compartilhada e ficaram todos mais cabisbaixos.
A estiagem ressecou os sentimentos e o amor não é mais úmido - virou uma crosta dura e esquecida, que tomou nos corpos a proporção de defesa.
Saudade virou um tempo inventado, e distância um objeto que cabe no bolso e pode ser medido em
assobios. mas as bocas, secas, só se prostram a cuspir hostilidade, que seca no ar antes de alcançar o chão, bem como as lágrimas, antes de perpassarem bochechas atônitas.
O ar é denso, permeado de coisas desditas e mágoas desconfiadas
que viram sorrisos meio rasgados e olhos meio revirados.