Era tempo demais pra sentir vontade de dormir, e qualquer descrição não satisfazia. Havia um limite de escrita, e tudo parecia errado.
-este é o mundo que sentiu preguiça de ter medo, você pode se deitar agora.
fim.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Não pode haver expectativas
Eu peguei a rodovia errada.
Na esquina de um abismo, o mundo inteiro ecoava ali, e me dizia que eu não tinha meios de abraçar aquilo. Aquilo era o vazio. E não é possível preenchê-lo com braços, ou sentenças
(nada disso parece genuíno)
O vazio desceu gelado meu estômago, e um calafrio escorreu meus dedos.
Eu engoli o ar dali, e não tinha gosto de nenhum sentimento - guardei todas as pedras no meu pulmão, para que elas também se mexessem. Fiz isso num estado de força conformada, não tinha dor em lugar nenhum.
Minhas orelhas ficaram vermelhas, e eu senti vergonha de existir.
Fotografei toda a paisagem, mas não consegui fotografar o frio. Havia um sorriso congelado a esquerda, com olhos vidrados de realização, daqueles que se veem no fim da vida.
Não contemplei. Minhas juntas reclamavam.
Os olhos e as solas do pé ardem, são versos repetidos (avessos)
Jamais quis escutar, o ser é aquilo que seu limite percebe (permite)
Meus horizontes apitam descanso.
Eu gritei, mas não ecoou.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
95 dias
Meus melhores amigos foram engolidos pelo vento.
O silêncio deu conta da loucura compartilhada e ficaram todos mais cabisbaixos.
A estiagem ressecou os sentimentos e o amor não é mais úmido - virou uma crosta dura e esquecida, que tomou nos corpos a proporção de defesa.
Saudade virou um tempo inventado, e distância um objeto que cabe no bolso e pode ser medido em
assobios. mas as bocas, secas, só se prostram a cuspir hostilidade, que seca no ar antes de alcançar o chão, bem como as lágrimas, antes de perpassarem bochechas atônitas.
O ar é denso, permeado de coisas desditas e mágoas desconfiadas
que viram sorrisos meio rasgados e olhos meio revirados.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Infinito.
A repetição tem mania de mim -
eu tenho sobriedade nas minhas palavras quando digo que estou enlouquecendo.
e o que tenho para oferecer é um disco quebrado, um abraço partido.
E pode até ser que o mundo doa,
mas dói separado.
eu tenho sobriedade nas minhas palavras quando digo que estou enlouquecendo.
e o que tenho para oferecer é um disco quebrado, um abraço partido.
E pode até ser que o mundo doa,
mas dói separado.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Dressing Table
Existe uma epopéia chamada "ensaios para a transfiguração de bigornas", onde é defendida a teoria do consentimento caótico - Eu aceito a sua loucura, e você busca em mim instabilidade; Viveremos felizes até o amanhecer, que é quando as trevas, iluminadas, rendem-se à sanidade.
Tal passagem é desmentida, quando publicaram o seguinte argumento:
"A natureza notívaga de begônias adormecidas pode ser simulada,
uma vez que a Luz, em seu âmbito essencial,
perde suas características inerentes quando apagada."
Eu te amo.
Tal passagem é desmentida, quando publicaram o seguinte argumento:
"A natureza notívaga de begônias adormecidas pode ser simulada,
uma vez que a Luz, em seu âmbito essencial,
perde suas características inerentes quando apagada."
Eu te amo.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
sem título IV
A resposta demorou três dias. Era assim:
"Prezado,
acordo aos termos previamente estabelecidos,
sua solicitação será desconsiderada
mas meu íntimo grita por aceitação.
Att"
sexta-feira, 6 de maio de 2011
You'll never be what is in your heart
Tenho muitas alergias. O bolor que encrosta o mundo é uma delas -
a minha alma cósmica incha a cada espirro metafísico. e eu me volto a
mim.
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